segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cuidados ao utilizar lentes de contato

A venda de lentes de contato sem receita médica e seu uso por mulheres e adolescentes, em sua maioria, continua sendo comum, e pode cegar. A Resolução 1965 do CFM (Conselho Federal de Medicina), que prevê a prescrição e adaptação de um oftalmologista, não impede o uso indiscriminado.

De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, o uso sem supervisão médica pode colocar a visão em risco. O problema seria que 15% da população não têm condições de usar lente de contato. “São pessoas com olho seco ou outras doenças oculares que podem agravar com o uso de lente” afirma.

A adaptação depende ainda do ajuste perfeito à curvatura e relevo da córnea mesmo no caso das cosméticas sem grau. “Cada pessoa tem uma curvatura na córnea que a lente deve acompanhar. Este ajuste evita o deslocamento e fricção da lente que provoca úlcera e até perda da visão”, afirma.

No caso das lentes coloridas, destaca, o risco pode ser ainda maior caso. Isso porque, a pigmentação diminui a oxigenação da córnea. “O tipo de material vai determinar o número de horas que a lente pode ser mantida no olho, Geralmente as coloridas só devem ser usadas por 8 horas ininterruptas”, destaca.

Sinais de complicações
Os principais sinais de alerta elencados por Queiroz Neto para quem usa lente são:

Dor e visão embaçada – Sinalizam deficiência de oxigenação. Pode ser necessário ocluir o olho com curativo e substituir a lente por outra de material que permita maior oxigenação.

Visão turva e halos ao redor da luz – Pode indicar olho seco ou deficiência da oxigenação que provoca edema na córnea.

Olho vermelho – Pode sinalizar uma inflamação da córnea, conjuntivite tóxica causada por excesso de uso da lente, conjuntivite viral em caso de secreção aquosa e bacteriana se a secreção for viscosa.

Coceira – Geralmente está associada à conjuntivite alérgica decorrente de reação aos produtos usados na limpeza das lentes. A alergia também pode ser decorrente das proteínas produzidas pelos olhos nos casos de má higienização, do depósito de maquiagem e cremes na superfície do olho, da umidificação da superfície ocular com água boricada e da limpeza feita com soro fisiológico. As condutas podem ser troca de lente, suspensão ou interrupção do uso. Independente do tipo de desconforto, ao primeiro sinal é necessário consultar um oftalmologista.

Como evitar problemas
O especialista diz que o uso de lentes vencidas ou durante o sono, quando a produção lacrimal tem uma redução de 50%, aumenta em 10 vezes o risco de contaminação da córnea. A recomendação é sempre retirar a lente durante o sono, mesmo quando liberadas para uso noturno.

Outros dois erros comuns são; guardar as lentes no banheiro e enxaguar com soro fisiológico. Isso porque, no banheiro além da umidade no ar que facilita a proliferação de fungos, o ar contém muitos microorganismos que contribuem com a contaminação das lentes.

Já o soro fisiológico não contém conservantes; não contém conservante e depois de aberto se torna um campo fértil para a multiplicação de bactérias e fungos.

As dicas do médico para evitar problemas no uso de lentes são:
-Lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular as lentes.
-Utilizar soluções multiuso tanto na limpeza quanto no enxágüe das lentes e estojo.
- Friccionar as lentes para eliminar completamente os depósitos
- Não usar soro fisiológico ou água na higienização
- Retirar as lentes antes de remover a maquiagem e quando usar spray no cabelo
- Colocar as lentes sempre antes da maquiagem
- Guardar o estojo em ambiente seco e limpo
- Trocar o estojo a cada quatro meses
- Respeitar o prazo de validade das lentes
- Jamais dormir com lentes, mesmo as liberadas para uso noturno.
- Interromper o uso a qualquer desconforto ocular e procurar o oftalmologista
- Não entrar no mar ou piscina usando lentes.
- Retirar as lentes durante viagens aéreas por mais de três horas

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Antes e na hora "H": Reações do corpo em relação ao sexo

O sexo começa muito antes de duas pessoas trocarem carícias entre 4 paredes. Só de “pensar naquilo”, já ocorrem alterações no cérebro e em todo nosso corpo. A excitação masculina costuma ser despertada visualmente, pela imagem do objeto de desejo ou cenas eróticas. Já elas se sentem mais estimuladas com a proximidade física, o tato — e coram a pele, uma arma evolucionária de sedução. Após essas preliminares, nosso corpo dispara sinais para que o desejo se concretize, garantindo a sobrevivência da espécie. Confira abaixo os menos evidentes entre esses sintomas picantes. Fonte: Revista Galileu
Editora Globo

Saiba por que beber água é importante

Você tem preguiça de levantar diversas vezes ao dia para beber água? Acha que não serve para nada? Saiba que manter uma garrafinha por perto pode fazer muito pela sua saúde, beleza e até o humor! A seguir, veja cinco ótimos motivos para beber água regularmente:
  • 1
    Ajuda a emagrecer
    De acordo com a nutricionista funcional Gabriela Maia, a água é essencial no processo de emagrecimento. “O consumo regular e diário ajuda na eliminação de toxinas através da urina e das fezes, permitindo que o organismo equilibre suas funções. Além disso, o organismo pode confundir fome com sede. Quando sentir aquela “ fominha” no meio da tarde, beba um copo de água antes de comer, assim você se sentirá saciada por mais tempo”, diz a nutricionista.
  • 2
    Mantém pele, unhas e cabelos bonitos
    A médica ortomolecular Lila Valente, da Clínic Med, explica que todos os órgãos sofrem com a perda de líquido corporal. “A pele é o primeiro a sentir os efeitos da falta de água no organismo. Avaliando suas características podemos perceber se a pessoa bebe água regularmente, já que casos de desidratação leve já podem provocar a diminuição do tônus, textura e elasticidade da pele”, diz a médica.
  • 3
    Evita inchaço e retenção de líquidos
    Se você costuma se sentir inchada, beber água deve ser um hábito comum como escovar os dentes: “Bebendo água ao longo do dia você evita que o organismo retenha o sódio, grande responsável pelo desconforto do inchaço”, explica Gabriela Maia.  Ela explica que beber os tais dois litros de água recomendados também ajuda a amenizar a celulite. Gabriela Maia também sugere as águas aromatizadas: “Antes de dormir, coloque rodelas de limão, laranja folhas de hortelã em uma jarra com dois litros de água, conservando-a na geladeira. No dia seguinte você terá uma bebida refrescante e livre de calorias”, recomenda a nutricionista.    
  • 4
    Evita dores de cabeça e mau humor
    Segundo Lila Valente, é preciso, sim, beber dois litros de água todos os dias. “Esquecer ou deixar de beber água no dia a dia pode provocar dores de cabeça, vômitos, náuseas, diarreias e febre”, diz a médica. Gabriela Maia explica que a desidratação leve, causada pela falta de água diária é mais comum do que imaginamos. “O simples fato de sentir sede é um indício que o organismo está com o estoque de água abaixo do recomendado e começa a entrar em estado de desidratação. Por isso, não espere sentir uma sede desesperada para beber água”, diz a nutricionista funcional.  Estudos recentes indicam que uma desidratação leve (com a perda de apenas 1% de água) pode afetar o humor, provocando até ataques de raiva.
  • 5
    Previne problemas nos rins
    Quanto menos água uma pessoa bebe, maiores os riscos das substâncias formadoras dos cálculos renais se unirem, formando as chamadas pedras nos rins. Estudos indicam que quem já sofreu com o problema, mas aumentou a ingestão de água, é capaz de reduzir em 60% o desenvolvimento de novos cálculos nos rins. “A água também ajuda a hidratar as fezes e eliminar toxinas através da urina”, diz a nutricionista Gabriela Maia. 

terça-feira, 27 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Faça parte da equipe da Farmácia Bela Vista

A Entrefarma Cláudio - Farmácia Bela Vista está contratando Operador de Caixa. Interessados poderão deixar currículos em qualquer uma das lojas. Outras informações pelo 37 3381 2592.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Rede Entrefarma Farmácia Bela Vista: O lado perigoso da Ioga

O jornalista americano William Broad, de 60 anos, fez carreira escrevendo sobre armas nucleares e segurança nacional. Depois de 40 anos praticando ioga, resolveu pesquisar sobre a atividade que lhe trouxe benefícios, mas que também se mostrou perigosa – ele levou meses para se recuperar de um mau jeito nas costas causado por uma postura. O resultado da investigação de cinco anos é o livro The science of yoga (A ciência da ioga). A obra foi lançada nos Estados Unidos na semana passada, mas causou polêmica antes mesmo da publicação. O The New York Times (NYT), jornal americano para o qual Broad trabalha, divulgou um trecho que desfaz, segundo o autor, um dos mitos que envolvem a milenar prática indiana: que a ioga é uma atividade segura. No texto, Broad enumera lesões relatadas a ele por instrutores ou documentadas por médicos em estudos. Os prejuízos à saúde vão de dores musculares excruciantes a rompimentos de tendões, de problemas na coluna a lesões cerebrais (com direito a paralisia de parte do corpo). São revelações suficientes para preocupar o mais zen dos iogues, quem dirá nós, simples amadores, que nos equilibramos em poses nas horas vagas.
No livro, Broad conta a história de Glenn Black, um instrutor americano famoso pela moderação e pelos cuidados nos exercícios. Black se diz convencido, depois de uma vida dedicada à ioga, de que a prática não é para todos. “É preciso olhar a ioga de uma perspectiva diferente”, diz Black. Ele passou recentemente por uma cirurgia de cinco horas para fixar vértebras de sua coluna, abalada pela prática.
RIGIDEZ O iogue uruguaio Pedro Kupfer.  O perfeccionismo de um guru indiano deixou uma lesão na coluna de Kupfer que restringe seus movimentos (Foto: Angela Nardi Sundari )
Histórias como a de Black causam surpresa. Desde que se popularizou no Ocidente, a partir da década de 1920, a ioga se firmou pelo democrático potencial reabilitador. Parecia ideal para pessoas com dores crônicas ou que haviam se machucado em outras modalidades esportivas e procuravam uma atividade em que reinasse o bom-senso, em que os excessos e os descuidos de academias de ginástica não tivessem espaço. As revelações de Broad em seu livro – que ele chama de “a primeira avaliação imparcial da ioga feita em milhares de anos” – indicam o contrário. “As evidências científicas sugerem que a ioga pode ser mais perigosa que outros esportes porque as lesões são mais extremas”, afirma Broad. Ele se diz surpreso com a repercussão do artigo no NYT. Adeptos da modalidade deram um tempo na emanação do mantra Om para manifestar revolta. Alunos e associações de professores mandaram cartas aos jornais. Escreveram artigos em comunidades on-line. Acusaram Broad de sensacionalista. “Se há tanto barulho, é porque eles sabem que esses riscos são reais e pouco divulgados”, diz Broad.
Parte da surpresa causada pelo livro vem da percepção equivocada de muitos praticantes sobre como nosso corpo reage a qualquer atividade física. Engana-se quem menospreza a intensidade dos exercícios. “Qualquer atividade pode provocar lesões”, diz o ortopedista Rogerio da Silva, diretor da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte. “Até caminhadas, consideradas leves, podem prejudicar se não forem feitas com tênis adequado e na medida correta para cada pessoa.” A ioga ainda tem um agravante, segundo o ortopedista Selene Parekh, pesquisador da Universidade Duke, nos Estados Unidos. Ela impinge um desafio físico extra aos ocidentais. “Eles não têm o costume de ficar em posturas que promovem alongamento e flexibilidade, como sentar no chão com as pernas cruzadas”, diz Parekh.
Não há levantamentos com rigor científico que deem ideia do risco de sofrer uma lesão durante a prática de ioga. Um dos poucos de que se têm notícia foi feito em 2009 pela Escola de Médicos e Cirurgiões da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos. Eles perguntaram a instrutores de ioga, médicos e fisioterapeutas quais eram as lesões mais sérias que já tinham visto. Os pesquisadores constataram que a maior parte dos ferimentos se concentrava na região lombar, nos ombros, nos joelhos e no pescoço. Pelo menos quatro entrevistados relataram saber de casos de derrame. “Como há poucos estudos desse tipo, é difícil saber se as lesões da ioga são maiores ou menores, proporcionalmente ao número de praticantes, do que em outros esportes”, diz o ortopedista André Pedrinelli, da Universidade de São Paulo. “Também há vários estilos de ioga, e não se pode generalizar o risco de lesões para todos.” Entre os estilos mais populares, a ashtanga ioga, que prima pela movimentação ininterrupta, é quase uma aula de aeróbica. Também é uma das mais arriscadas para os novatos. As outras modalidades comuns – a iyengar, que usa cordas e outros materiais para facilitar a execução dos exercícios, e a hatha, que privilegia posturas – também não estão isentas de perigo.
mensagem ioga (Foto: reprodução)
No dia a dia dos consultórios, é consenso entre os médicos: existem, sim, lesões decorrentes da prática. “Já atendi pacientes que se machucaram ao fazer ioga, mas a quantidade está longe de ser comparada com a de lesões causadas por outros exercícios, como corrida, ciclismo, natação ou musculação”, diz o ortopedista americano David Geier, porta-voz da Sociedade Americana de Ortopedia para Medicina Esportiva. No Brasil, a situação é semelhante. “Nos últimos três anos, num universo de 3 mil pacientes, atendi menos de nove que se machucaram numa aula de ioga”, diz o ortopedista Rogerio da Silva.
Se os números não são alarmantes, por que falar sobre lesões na ioga causa controvérsia? O assunto toca em dois pontos delicados. O primeiro literalmente sensível: o pescoço. Algumas posturas, como a invertida sobre os ombros, chamada sarvangasana (leia o quadro abaixo), podem comprimir artérias que levam sangue à cabeça, deixando o cérebro sem circulação. Em seu livro, Broad relata um caso de derrame documentado pelo médico americano Willibald Nagler, em 1973. Uma mulher de 28 anos ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado depois de fazer uma postura chamada urdhva dhanurasana. O praticante, de pé, curva o corpo para trás até tocar com as mãos no chão, fazendo uma ponte. Com o alongamento do pescoço, um dos vasos que levam sangue à cabeça da mulher parece ter sido comprimido, privando o cérebro de oxigênio.

Outro caso parecido foi levado para um hospital de Chicago alguns anos depois. Um rapaz de 25 anos perdeu o controle sobre o lado esquerdo do corpo depois de ficar cinco minutos na pose invertida sobre os ombros. Deitado, o iogue apoia as mãos embaixo dos quadris e levanta as pernas, ficando apenas com os ombros, o pescoço e a cabeça como apoio para o peso do corpo. Nesse caso, a circulação do sangue para o cérebro também pode ter sido interrompida. “O risco de diminuição do fluxo de sangue para a cabeça e até de um derrame é real”, afirma o neurologista Renato Anghinah. “Entre as áreas que costumam ser atingidas nesse tipo de lesão está o tronco cerebral, que controla a respiração.” Casos como esses são raros. Mas a divulgação desse tipo de risco – algo que muitos gurus preferem empurrar para debaixo do mat, o tapete usado como base na prática –, pode amedrontar praticantes e futuros adeptos da ioga.
EXCESSO O comerciário paulistano Paulo Tomaselli, de 60 anos.  Ele praticava ioga desde a infância, mas teve de abandoná-la por causa  das lesões   (Foto: Isadora Brant/ÉPOCA )
O segundo motivo que torna o tópico polêmico é deixar em evidência as falhas dos instrutores. Muitas das lesões são causadas por um costume cada vez mais comum nos estúdios e nas academias. Para ajudar o aluno a conseguir realizar a postura com a maior perfeição possível, o professor empurra as costas, puxa pernas, braços e articulações, num zelo que pode ir além dos limites físicos do praticante. “Muitos instrutores estão se tornando fanáticos pela perfeição da postura e acabam forçando o aluno além do que ele pode”, afirma o iogue uruguaio Pedro Kupfer, uma das principais referências da prática na América do Sul. “É o cenário ideal para acontecer uma lesão.” Kupfer é, ele mesmo, vítima da ditadura da exatidão na ioga. Em 2000, durante um retiro num ashram (comunidade religiosa) na Índia, ele sofreu uma lesão na coluna, na altura do cóccix, ao executar uma das posturas mais avançadas da ioga, a chakra bandhasana. Em pé, o iogue se curva para trás até segurar os tornozelos. O guru que comandava a prática resolveu dar uma forcinha. O barulho causado pelo desencaixe das vértebras foi ouvido por quem estava na sala. Kupfer passou meses com crises de dor. O alívio veio com o tempo, sessões de massagem e exercícios para fortalecer os músculos da região, que dão estabilidade à coluna. Mas houve sequelas. Ele convive com uma artrose no cóccix, degeneração das cartilagens e dos ossos que causa dor, e seus movimentos foram limitados. Continua praticando ioga e surfando, suas grandes paixões, mas as posturas que exigem grande flexão lombar foram abolidas de seu repertório.
A transformação da natureza da ioga – encarada hoje mais como um exercício puro do que uma filosofia que busca autoconhecimento – pode estar por trás da prática linha-dura. “A maior parte dos novos instrutores fez ‘cursos’ de alguns meses, nos quais o ensino das posturas é supervalorizado”, afirma a instrutora Camila Ferreira-Vorkapic, que estuda os efeitos psicológicos da prática na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Meias verdades, conhecimento insuficiente e técnicas fora do contexto podem construir uma fórmula tão perigosa quanto um frasco de remédio nas mãos de uma criança.” Ao adotar a exatidão das posturas como meta, muitos instrutores se esquecem de que o corpo de cada aluno é diferente, assim como seu grau de flexibilidade. Por limites físicos – não da mente, como chegam a dizer muitos gurus –, algumas pessoas não conseguem o alinhamento considerado “correto” em determinadas posturas. “Nossa coluna não é igual, assim como nossas articulações e a amplitude de movimentos que elas nos dão”, afirma o instrutor Marcos Rojo, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Numa prática de ioga, a única coisa que tem de ser igual para todos é a sensação de bem-estar.”
 “Muitos instrutores insistem para o aluno fazer a postura do jeito deles. É a receita para uma lesão” Nadine Fawell, professora australiana (Foto: John Lee)
A instrutora australiana Nadine Fawell já teve aulas com um professor que se esqueceu das particularidades anatômicas. Em dezembro, ela estava num retiro na cidade de Ubud, na Indonésia, quando o instrutor parou a aula para corrigir a direção dos quadris de Nadine numa postura. Ela tentou explicar que ele estava lutando contra seus ossos. Não adiantou. O instrutor fez tanta força que Nadine escutou o estalo nas articulações do quadril, seguido por uma onda de dor. O ajuste não causou uma lesão, mas deixou claro para Nadine como os alunos se sentem compelidos a aceitar correções que podem machucar. “O instrutor está numa posição de autoridade”, diz. “Acreditamos que ele quer o melhor para nós, e isso torna quase impossível recusarmos as correções.”
Os alunos também têm sua parcela de culpa. É comum que lesões apareçam quando a vontade de se superar numa aula ou de mostrar melhor desempenho que o vizinho de mat sobrepuja o bom-senso. O comerciário paulistano Paulo Tomaselli, de 60 anos, praticava ioga desde a infância e se orgulhava de sua flexibilidade acima do comum. Até que teve de operar o menisco, cartilagem do joelho direito, aos 28 anos, depois de sofrer lesões numa postura em que unia os dois pés e os levava até a altura do estômago. Quinze anos depois, o joelho esquerdo também começou a doer, sinal do desgaste provocado por anos de exercícios pesados. Tomaselli teve de deixar a ioga de lado pouco a pouco, porque as limitações físicas causadas pelas lesões tornavam as posturas cada vez mais difíceis. Hoje, ele mal consegue sentar na posição de lótus (com as pernas cruzadas), uma das mais básicas. “Da mesma forma que a ioga proporciona coisas boas, como elasticidade e um corpo em forma, ela lhe dá os mesmos 100% em machucados e lesões”, diz Tomaselli. “É preciso ter consciência para não fazer a escolha errada.”

 Fonte: Revista Época 
Posições da ioga (Foto: Ilustrações: Rodrigo Fortes)